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Produtores comemoram ATeG Cachaça no Vale do Jequitinhonha

Vinte produtores aprendem a gerir a propriedade e ter mais lucro com o alambique e o projeto tem dado certo

Dois homens e cachaças
Técnico em visita a um produtor de cachaça. (Foto: Divulgação)
Washington Bonifácio
17 de junho de 2022
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O Sistema FAEMG lançou o Programa de Assistência Técnica Gerencial (ATeG) Cachaça, no Vale do Jequitinhonha. A turma de 20 produtores começou o processo no fim da safra de 2021, já com o objetivo de aprender sobre gestão e empreendedorismo rural. Flaviano da Cruz é um dos produtores que ajudam é firmar a cidade como a “Capital da Cachaça”. Ele é de família produtora da bebida e herdou do pai esse dom. “O programa foi de muita importância pra mim e chegou logo após a partida do meu pai. Eu não tinha muitas informações sobre o andamento do negócio e em pouco tempo de ATeG adquiri conhecimento e aprimorei detalhes do que já estava sendo executado”, disse o produtor entusiasmado.

Técnicas

Durante o período de estudos, os produtores tem aprendido sobre gestão do negócio, marketing e legalização dos empreendimentos.  O técnico de campo que acompanha o grupo, Eduardo Henrique Novy Vidal, conta sobre os desafios encontrados durante o atendimento.  “A dificuldade nas vias de acesso, o baixo conhecimento técnico dos empresários rurais e a falta de recursos de fomento para os investimentos fundamentais à lucratividade dos negócios”, revelou.

Implantar novas técnicas em lugares onde a cultura já está estabelecida é desafiador. Mesmo assim, o grupo segue motivado a continuar, como conta o produtor Isnaldo dos Santos, da Cachaça Tesourinha. “Passamos dificuldades em adequação e, por muito tempo, ficamos sem assistência. Embora seja a minha principal atividade no campo, demorei muito para procurar assistência, mas com o ATeG já melhorei o meu jeito de trabalhar. Tudo tem dado certo”, contou o produtor, que comemora o crescimento gradual do negócio. “Comecei a vender a granel, evoluí para a etiqueta e agora já tenho o meu rótulo e registrei a marca”, finaliza.

Produtor e cachaça

Produtor Isnaldo dos Santos mostra a cachaça Tesourinha. (Foto: Divulgação)

O projeto piloto ATeG Cachaça atende, atualmente, quatro municípios: Salinas, Francisco Sá, Araçuaí e Novorizonte. “Apesar de ainda não termos concluído a primeira turma, é nítida a evolução das propriedades, que saem da informalidade para alçar vôos mais promissores. É mais tecnologia, inovação, qualidade para o paladar de quem aprecia e dinheiro no bolso para quem investe”, finalizou o gerente regional do Sistema FAEMG em Araçuaí, Luiz Rodolfo Antunes Quaresma.

Formalização

O ex-presidente da Associação dos Produtores de Cachaça Artesanal de Salinas (APACS) e coordenador da ação que obteve o selo reconhecimento da Indicação Geográfica (IG), que assegura a autenticidade da cachaça produzida na região, Nivaldo Gonçalves das Neves, produtor da cachaça Fascinação, acredita nos impactos positivos do Programa, que retira produtores da informalidade e aumenta a lucratividade do negócio. “É um arranjo produtivo local muito interessante, que traz empregos diretos e indiretos. A cachaça, em Salinas, é o maior arrecadador de ICMS do município. A região produz entre 3,5 e 5 milhões de litros por ano. Então, é claro que este é um produto de grande impacto para a economia”, contou.

Nivaldo Gonçalves, produtor da cachaça Fascinação, comemora resultados depois de ATeG. (Foto: Divulgação)

Segundo o produtor, com o ATeG é possível sair da informalidade, garantir controle fiscal e proteção da saúde humana. “É sabido que, entre os produtores de cachaça, a informalidade é quatro vezes maior que a formalidade. Além do problema de evasão fiscal, temos o risco da saúde humana, pois a bebida precisa passar por todos os cuidados preconizados pelo Ministério da Agricultura para que possa, finalmente, ser engarrafada”, revela.

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